sábado, abril 26, 2008

A Depressão na visão Espírita

Um texto do Dr. Wilson Ayub Lopes

A depressão pode ser conceituada como uma alteração do
estado de humor, uma tristeza intensa, um abatimento
profundo, com desinteresse pelas coisas. Tudo perde a
graça, o mundo fica cinza, viver torna-se tarefa
difícil, pesada, com idéias fixas e pessimistas.
Poderíamos considerá-la como uma emoção estragada. As
emoções naturais devem ser passageiras, circularem
normalmente, sem desequilibrar o ser. A tristeza por
exemplo, é uma emoção natural, que nos leva a entrar
em contato conosco, à introspecção e à reflexão sobre
nossas atitudes. Agora, uma vez estagnada, prolongada,
acompanhada de sentimento de culpa, nos leva a
depressão.

Podemos dividir a "depressão" em três formas, de
acordo com o fator causal:
- Depressão Reativa ou Neurose Depressiva: - esta
depende de um fator externo desencadeante, geralmente
perdas ou frustrações, tais como separação, perda de
um ente querido, etc.
- Depressão Secundária a Doenças Orgânicas: acidente
vascular cerebral ("Derrame"), tumor cerebral, doenças
da tireóide, etc.
- Depressão Endógena: por deficiência de
neurotransmissores. Exs.: depressão do velho,
depressão familiar e psicose maníaco-depressiva.

Estima-se que a depressão incida em cerca de 14% da
população, ou seja, temos no Brasil cerca de 21
milhões de deprimidos. Ela afeta todo o ser,
acarretando uma série de desequilíbrios orgânicos,
sobretudo, comprometendo a qualidade de vida, tornando
a criatura infeliz e com queda do seu rendimento
pessoal.

André Luiz cita nas suas obras que os estados da mente
são projetados sobre o corpo através dos bióforos que
são unidades de força psicossomáticas, que se
localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus
estados felizes ou infelizes a todas as células do
nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona
ora como um sol irradiando calor e luz, equilibrando e
harmonizando todas as células do nosso organismo, e
ora como tempestades, gerando raios e faíscas
destruidoras que desequilibram o ser. Segundo
Emmanuel, a depressão interfere na mitose (divisão)
celular, contribuindo para o aparecimento do câncer e
de outras doenças imunológicas, sobretudo a
deficiência imunitária facilitando às infecções.

Na depressão existe uma perda de energia vital no
organismo, num processo de desvitalização. O indivíduo
perde energia por dois mecanismos principais:

1º) Perde sintonia com a Fonte Divina de Energia
Vital: o indivíduo não se armando como deve, com
sentimento de auto-estima em baixa, afasta de si
mesmo, da sua natureza divina, elo de ligação com a
fonte inesgotável do Amor Divino. Além do mais, o
indivíduo ao se fechar em seus problemas e suas
mágoas, cria um ambiente vibracional negativo, que
dificulta o acesso da espiritualidade Maior em seu
benefício.
2º) Gasto Energético Improdutivo: o indivíduo ao invés
de utilizar o seu potencial energético para
desenvolver potencialidades evolutivas, vivendo
intensamente as experiências e os desafios que a vida
lhe apresenta, desperdiça energia nos sentimentos de
auto-compaixão, tristeza e lamentações. Sofre e não
evolui.

CAUSAS PRINCIPAIS

A depressão está freqüentemente associada a dois
sentimentos básicos: a tristeza e culpa degenerada em
remorso. Quando por algum motivo infringimos a lei
natural, ao tomarmos consciência do erro cometido,
temos dois caminhos a seguir:
1 - Erro>Consciência>Arrependimento>Tristeza>Reparação

2 - Erro>Consciência>Culpa-remorso (idéia
fixa)>Depressão

O primeiro caminho é meio natural de nosso
aperfeiçoamento. Uma vez tomando consciência de nossas
imperfeições e erros cometidos, empreendemos o
processo de regeneração através de lições reparadoras.
De outra maneira, se ao invés nos motivarmos a nos
recuperarmos, nós nos abatermos, com sentimento de
desvalia, de auto-punição, e permanecermos atrelados
ao passado de erros, com idéias fixas e
auto-obsessivas, nós estaremos caminhando para o
estado de depressão, que é improdutivo no sentido de
nossa evolução.

Outra condição que nos leva à depressão é citada pelo
espírito de François de Geneve no Evangelho Segundo o
Espiritismo, cap. V item 5 (A Melancolia), onde relata
que uma das causas da tristeza que se apodera de
nossos corações fazendo com que achemos a vida amarga
é quando o Espírito aspira a liberdade e a felicidade
da vida espiritual, mas, vendo-se preso ao corpo, se
frustra, cai no desencorajamento e transmite para o
corpo apatia e abatimento, se sentindo infeliz. Para
François Geneve então, a causa inicial é esta ânsia
frustrada de felicidade, liberdade almejada pelo
espírito encarnado, acrescido das atribulações da vida
com suas dificuldades de relacionamento interpessoal,
intensificada pelas influências negativas de espíritos
encarnados e desencarnados.

Outro fator que está determinando esta incidência
alarmante de depressão nos nossos dias é o isolamento,
a insegurança e o medo que estão acometendo as pessoas
na sociedade contemporânea. Absorvido pelos valores
imperantes como o consumismo, a busca do prazer
imediato, a competitividade, a necessidade de não
perder, de ser o melhor, de não falhar, o homem está
de afastando de si e de sua natureza. Adota então uma
máscara(persona), que utiliza para representar um
"papel" na sociedade. E, nesta vivência neurotizante,
ele deixa de desenvolver sua potencialidades, não se
abre, nem expõe suas emoções, pois estas demonstram
que de fato ele é. Enclausurado, fechado nesta
carapaça de orgulho e egoísmo, ele se isola e se sente
sozinho. Solidão, não no sentido de estar só, mas de
se sentir só. Mais do que se sentir só é a
insatisfação da pessoa com a vida e consigo mesma. O
indivíduo nessa situação precisa se cercar de pessoas
e de coisas para ficar bem, pois, desconhece que ele
se basta pelo potencial divino que tem. A solidão é
conseqüência de sua insegurança, de sua imaturidade
psicológica. Nos primeiros anos de vida, a criança
enquanto frágil e insegura, é natural que tenha
necessidade de que as pessoas vivam em função delas,
dando-lhes atenção e proteção. É a fase do
egocentrismo, predominantemente receptiva. Com o seu
amadurecimento, começa a criar uma boa imagem de si,
tornando-se mais seguro, e a partir de então, passa a
se doar, a se envolver e a participar mais do a mundo.
O que acontece é que certas pessoas, por algum motivo,
têm dificuldades neste processo de amadurecimento
afetivo, mantendo-se essencialmente receptivas e não
participativas, exigindo carinho, respeito e atenção,
sem se preocuparem da mesma forma com os outros.
Fazem-se de vítimas, pobre coitados, sem as
responsabilizarem por si. Conseguem o seu equilíbrio
às custas das conquistas exteriores. A primeira
frustração que se deparam, não toleram, pois expõe
suas fraquezas e isto motiva um quadro de depressão.

Em alguns idiomas, doença e vazio têm a mesma
tradução. A doença seria decorrente de um vazio de
sentimentos que gera depressão e adoece o ser. Um
indivíduo quando perde a capacidade de se amar, quando
a auto-estima está debilitada, passa a ter dificuldade
de amar o semelhante, pois o sentimento de amor, de
generosidade para com o próximo, é um sentir de dentro
para fora. Este sentimento de amor ao próximo, nada
mais é do que uma extensão do nosso amor, da nossa
sintonia com o Deus interior que nós temos em nós. A
pessoa que tem dificuldade nesta composição de amar a
si e, por conseqüência, amar o próximo, deixa de
receber o amor e a simpatia do outro, e não consegue
entra em sintonia com a fonte sublime inesgotável do
Amor Divino. Nós limitamos aquilo que recebemos de
Deus, na medida do quanto doamos ao próximo. Quem ama
muito, muito recebe. Quem pouco ama, pouco recebe.
Esse afastamento de si, e por conseguinte de Deus,
gera a tristeza, o vazio, a depressão e a doença.

TRATAMENTO

A depressão é um sintoma que nos diz que não estamos
nos amando como deveríamos. O caminho para sairmos
dela é preencher este vazio com a recuperação da
auto-estima e do amor em todos os sentidos. Primeiro,
procurando nos conhecer e nos analisar, com o intuito
de nos descobrirmos, sem nos julgarmos, sem nos
punirmos ou nos culparmos. E depois, nos aceitarmos
como somos, com todas as nossas limitações, mas
sabendo que temos toda potencialidade divina dentro de
nós, esperando para desabrochar como sementes de luz.
Isto nada mais é do que desenvolver a fé em si e no
criador, sentimento este que transforma e que nos liga
diretamente a Deus. Uma pessoa consciente de sua
riqueza interior passa a ter segurança e fé nas suas
potencialidades infinitas, começando a gostar e
acreditar em si, amando-se e a partir de então,
sentindo necessidade de expandir este sentimento a
tudo e todos. Começa assim a se despertar para os
verdadeiros valores da vida espiritual, se
transformando numa pessoa feliz e sorridente, pois
onde existe seriedade, há algo de errado; a seriedade
está ligada ao ser doente. Sorria e seja feliz amando
e servindo sempre. A terapia contra a depressão se
baseia no amar e no servir, se envolvendo em trabalhos
úteis e no serviço do bem. Seja no trabalho
profissional, no trabalho do lazer, ou no trabalho de
servir ao próximo, o indivíduo se ocupa, exercita o
amor, e deixa de se envolver com as lamentações, pois
a infelicidade faz seu ninho no escuro dos sentimentos
de cada um. Dificilmente conheceremos um deprimido,
entre aqueles que trabalham a serviço do bem. Para
doarmos este amor, não basta somente fazermos obras de
caridade, temos que nos tornarmos caridosos; antes de
fazermos o bem temos que ser bons. Darmos um pão, um
agasalho, mais junto colocarmos uma boa dose de afeto
e carinho. Ser acima de tudo generosos, que é a
caridade com afeto. As pessoas estão com fome de amor,
de calor humano, um ombro amigo, um abraço, um
aconchego e uma palavra de carinho. Às vezes, com um
simples sorriso, um bom dia, um olhar afetuoso, nós
estamos doando energia e transmitindo vida. O homem
alcançou um enorme progresso intelectual, satisfazendo
suas necessidades materiais com os avanços
tecnológicos. Porém, ainda se depara com enormes
dificuldades na convivência fraterna com o seu
semelhante. Estamos cada vez mais próximos um dos
outros através dos meios de comunicação e, no entanto,
mais afastados emocionalmente. Agora, o homem está
sentindo a necessidade premente de desenvolver a
afetividade, de se envolver, amar e sentir o seu
semelhante. Temos que ressuscitar e liberar a criança
que está esquecida dentro de nós. Para resgatarmos
esta criança que adormece em nós, é necessário que
vejamos o mundo de forma positiva e otimista. A nossa
criança interior, geralmente se encontra retraída e
oprimida, porque a vida nos apresenta de forma
desagradável; ainda não vivemos de forma natural,
espontânea e isto gera ansiedade e sofrimento. Como a
criança é movida pelo prazer, ela se recolhe e não se
manifesta. A criança não se julga, não se pune. Ela
apenas vive o hoje, o agora, integrada perfeitamente a
Deus e à natureza. "Deixai vir a mim as criancinhas
porque o reino dos céus é de quem vos assemelham" -
com estas palavras quis Jesus dizer que teremos que
ser puros, autênticos, integrados com a nossa natureza
divina, sem fugas ou máscaras, para alcançarmos a
nossa evolução espiritual. Ter atitudes simples, como
lidar com animais, brincar com crianças, atividades
criativas como a pintura, tocar um instrumento, fazer
pequenas tarefas domésticas, cozinhar, manter uma
conversa amena, contar um caso, ver um bom filme,
escutar uma música, cantar, sorrir, ouvir com atenção,
olhar com ternura, tocar as pessoas, abraçar, fazer um
elogio sincero, curtir a natureza, admirar o por do
sol, etc. Estas são tarefas que muito lhe ajudará a
reencontrar o equilíbrio e a harmonia interior. Manter
sempre o bom humor. Aquele que tem no ideal de servir
uma meta de vida, será sempre uma pessoa feliz. Na
vida o que mais importa é o amor e o bem querer das
pessoas, viver suas emoções; não se deixar afetar por
coisas pequenas. Muitas vezes nos deixamos abater por
problemas, que se olharmos com olhos de Espíritos
Eternos em passagem pela Terra, não valorizaríamos.
Substituir sentimentos de auto-piedade por vibrações
em favor dos que sofrem. Se olharmos com atenção e
interesse ao nosso redor, veremos que existem pessoas
com problemas muito piores, que o nosso a pedir
socorro. Procurar praticar atividades físicas
regulares, como a caminhada, um esporte, um lazer. A
mente parada começa a criar pensamentos negativos, que
se assemelham a lixos amontoados dentro de casa. Com
estas atividades, você estará desviando sua mente
destes pensamentos deletérios. Tornar-se empreendedor,
dinâmico, criando idéias novas e construtivas em
benefício do semelhante, com motivação para
implementá-las, junto ao grupo ou a comunidade que
pertence. Não fique estagnado esperando que a coisas
aconteçam em seu favor. Aja em favor do próximo e não
se surpreenda se você for o mais beneficiado. Leituras
edificantes, uma conversa com um amigo, um terapeuta
ou um orientador espiritual, ajuda você a ver o
problema por um outro ângulo. A oração é um recurso
indispensável no processo de recuperação. Através dela
estabelecemos sintonia com a Espiritualidade Maior,
facilitando o caminho para que nos inspirem e
revigorem nossas energias. Não nascemos para sofrer.
Os nossos problemas e nossas dificuldades devem ser
interpretadas como instrumentos para nossa evolução.
Nunca devemos nos deprimir ou nos revoltar contra
eles. O melhor aprendizado, é aquele que tiramos de
nossa própria vida. Vocábulo "crise" em algumas
línguas podem ter dois significados: a oportunidade ou
perigo. Oportunidade de crescimento ou perigo de
queda.

O que importa é sabermos que os problemas , que
deparamos na vida só surgem quando já temos condições
de solucioná-los. Como disse o Mestre Jesus: " O Pai
não coloca fardos pesados em ombros fracos". Deste
modo, ficamos mais fortes ao saber que temos todas as
condições interiores, para enfrentar as dificuldades
que a vida nos apresenta. Ter consciência, que acima
de tudo, tem um Deus maior a zelar por nós e que nunca
nos abandona.

BIBLIOGRAFIA:
_Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo -
2ª edição - FEB - cap. V, item 25
_Franco, Divaldo Pereira - O Homem Integral - 3ª
edição - Livraria Espírita Alvorada
_Xavier, Francisco Cândido - Missionários da Luz - FEB
- 21ª edição
_Revista Espírita Allan Kardec - Ano X - n. 37
_Xavier, Francisco Cândido - O Consolador - FEB - 13ª
edição
_Silva, Marco Aurélio (Dr) - Editora Best

2 comentários:

Daniel7 disse...

Um texto consistente e edificante! Parabens!!!

Com Gratidão,
Abraços,

Daniel
danielandre@pop.com.br

Teresa Gonçalves disse...

Excelente.
texto para ter sempre presente.
Muito obrigada.

Teresa